16/12 – tarde

Nesta parte do dia foi apresentada a experiência do Espaço Colaborativo Farol com o tema Novas Formas de Associativismo Criativo e Empreendedorismo Social no Brasil.

Márcia Oliani e Bruno Torturra, dois dos cooperados do Espaço Farol, pelo Fluxo, instituição que ocupa um dos quatro andares do prédio, abriram os trabalhos da tarde. Torturra mostrou que o Farol e os seus associados constroem ideias, práticas e vivências culturais no prédio. Este ainda passa por uma série de adaptações, para se adequar às necessidades dos grupos e de seus usuários. O projeto nasceu com a Balsa, um dos quatro elementos do condomínio cultural. Logo vieram os jornalistas do Fluxo, que pensam um jornalismo independente sem abrir mão da ideia de uma redação. Na sequência veio o grupo Líquen e o Instituto Choque Cultural. Os quatro grupos defendem a ocupação do centro de São Paulo com projetos de cultura, arte e comunicação, mas especialmente, como um espaço de vivências coletivas e sociais e de novos empreendimentos criativos. Pretendem irradiar ações criativas à cidade, a partir do prédio e das suas experiências e vivências.

Em 2013, Baixo Ribeiro e Mariana Martins começaram a produzir artistas locais, editando gravuras que eram impressas e vendidas pela Galeria Choque Cultural. Eles faziam trabalho institucional dos artistas também, ou seja, trabalhavam a carreira desses profissionais. Logo eles começaram a empreender projetos sozinhos e a Choque Cultural desenvolveu a ideia de um Instituto a partir do conceito de “educomunicação” e começou a levar as tecnologias desenvolvidas com os artistas para as escolas públicas. Nasce aí um espaço comunicativo e de trocas entre arte, comunicação e educação. Baixo Ribeiro afirma que dessa experiência criou-se uma circunstância capaz de gerar trocas entre artistas, comunicadores e a comunidade escolar. Surge a possibilidade de se abrirem as escolas envolvidas para o diálogo com a cidade e com a comunidade. A esse projeto foi dado o nome de Colaboratório, e começaram a fazer intervenções urbanas, pensar territórios culturais e a desenvolver arte, comunicação e arquitetura comunitária: “Um plano de negócios, nem vendido, nem precário, que gere novos conceitos, produtos e resultados econômicos justos e sustentáveis”.

Soluções sustentáveis, diálogo com poder público e com o mercado, interfaces com projetos sociais e outras propostas para a manutenção de novos projetos aparecem no debate e na imersão das redes. As experiências sociais e de sustentabilidade apresentadas
pelos vários grupos do Espaço Farol contri-buíram muito para os grupos presentes, que puderam pensar a continuidade das suas iniciativas e novas possibilidades, novos processos e projetos. “Como pensar a arte e a comunicação sem se atrelar aos interesses financeiros, mas, ao mesmo tempo, manter os projetos? Como dialogar com mais gente e promover a formação e integração de outros grupos e nichos? Como pensar soluções que permitam a realização de negócios culturais com estatuto social, com fins lucrativos, mas sem acúmulo?” Torturra tem uma resposta: “Investir em iniciativas altamente arriscadas, mas viáveis e relevantes”.

Neste debate, aparece claramente a necessidade da criação de um GT (Grupo de Trabalho) que pense modelos inovadores de gestão e de negócios culturais sustentáveis, comunicativos, artísticos e educacionais.