18/12 – tarde

No período da tarde, o encontro buscou refletir sobre elementos da Comunicação Social na construção de identidade entre as redes de movimentos sociais e na construção de um discurso de inclusão social para as novas gerações.

Debate Basbaum

André Basbaum, jornalista do SBT, inicia sua fala contando um pouco da sua trajetória no jornalismo, que começou na Rede Globo, onde trabalhou no Jornal da Globo e no Jornal Nacional. Depois de sua saída da Globo, André conta que passou pela TV Record e hoje está no SBT.

Basbaum relata os acontecimentos das Jornadas de Junho dentro das redações tradicionais da mídia brasileira e como essa mídia se percebe, naquele momento, descolada da realidade da sociedade ao não conseguir cobrir os protestos nas ruas, tendo seus profissionais atacados pelos manifestantes que não queriam ingerência, nem dos partidos políticos, nem da mídia tradicional, especialmente nos movimentos de rua em São Paulo, que depois se estenderam por todo o Brasil.

André falou dos esforços do SBT para conseguir interlocução com os movimentos e algumas estratégias do canal para driblar a rejeição dos movimentos que ocupavam a rua naquele momento.

Basbaum acredita que a mídia está passando pelas mesmas dificuldades que vários outros setores da economia passaram com a chegada da internet, pois tradicionais conceitos como horário nobre, preços da veiculação de publicidade, queda vertiginosa de audiência e perda da referência como única portadora da informação mudaram completamente o paradigma da mídia reinante anteriormente.

Dessa forma, diz André, a experiência de comunicação das redes pode ajudar a construir novas alternativas no campo da comunicação no Brasil. Cita a ABRAÇO como uma potencial parceira no estabelecimento de redes alternativas de comunicação. Cita a Mídia NINJA como um outro paradigma de cobertura ao vivo de protestos e diz que a saída passa pela integração de várias redes de comunicação dentro dos moviementos sociais, para fazer a disputa da sociedade.

Renato Rovái, da Revista Fórum começa sua fala mostrando os dados relativos ao financiamento da mídia no Brasil. Estes revelam que o Governo Federal reconcentrou as verbas de publicidade nos veículos tradicionais, como a Rede Globo, o que levou bilhões de reais dos cofres públicos, enquanto os sites e blogs progressistas, como a própria Revista Fórum, o Diário do Centro do Mundo e o Conversa Afiada de Paulo Henrique Amorim recebem migalhas desse bolo. “Como fazer a disputa com essa discrepância no financiamento?”, pergunta Rovái.

Dessa forma, conclui Rovái, a disputa da comu-nicação passa pela articulação das redes e dos movimentos sociais na construção de um novo modelo, pautado na internet e no ativismo digital.

Foto Grupo Basbaum