Ações de desenvolvimento estratégico

EDITAL DE INTERCÂMBIO E TECNOLOGIAS SOCIAIS ENTRE AS REDES

Durante o seminário de imersão Cidadania 2.0, foram levantadas demandas direcionadas a uma maior aproximação entre os novos agentes sociais que estão atuando junto as entidades e redes de movimentos sociais espalhados pelo Brasil, assim como uma maior aproximação dos diálogos entre esta nova geração de atores sociais na construção de trabalhos conjuntos e colaborativos.

Diante disso, surgiu a proposta de criação de um edital de intercâmbio de vivências e residências criativas para jovens integrantes das redes.

Nesta iniciativa, o edital buscará gerar uma experiência inédita no Brasil, de formação e capacitação de jovens empreendedores sociais, voltada à difusão de tecnologias sociais produzidas a partir de um diálogo colaborativo entre jovens, gestores sociais e educadores. Tendo o intercâmbio de experiências e trocas de conhecimentos como instrumento metodológico, a iniciativa aqui proposta tem como missão criar um ambiente fértil para o desenvolvimento social,tendo o compartilhamento de experiências como pilar de sustentabilidade entre as redes.

A proposta do projeto se insere nesse contexto. Os jovens participantes irão transitar pelas principais redes de movimentos sociais brasileiros buscando compreender como aprimorar práticas sociais, educacionais e culturais em suas regiões a partir do desenvolvimento de tecnologias sociais integradas. O intuito é proporcionar a formação profissional dos jovens e auxiliar na multiplicação de conhecimentos entre as redes dispersas no território nacional.

Para isso, a experiência proposta busca o entendimento dos diversos aspectos que compõem a estrutura dorsal da cidadania, gerando novas possibilidades de desenvolvimento social mais democrático e criativo.

CRIAÇÃO DE PLATAFORMA DE COMUNICAÇÃO INTEGRADA

Em parceria com o Laboratório de Laboratório de Aplicações de Vídeo Digital (Lavid) ligado ao Departamento de Informática e Extensão da Universidade Federal da Paraíba o objetivo desta iniciativa é investir na criação de uma plataforma de comunicação integrada entre as redes visando a produção de conteúdos e compartilhamento de informações.

Este espaço que pode se desenvolver de forma virtual, estará dedicado a promover a troca de conteúdos audiovisuais, textuais e tecnológicos entre as entidades participantes e gerando conteúdos informativos sobre projetos e ações espalhadas em todo o território nacional.

Também servirá como importante mecanismo de valorização e mobilização social de temas que são caros ao desenvolvimento social brasileiro e que, de algum modo, sustentam o trabalho conceitual e pedagógico de cada entidade.

Como primeiro passo, será utilizado o site http://ongcontato.org/cidadania2pt0, que já está no ar, para abrigar as primeiras etapas de diálogo e comunicação entre as redes.

CICLO DE CAPACITAÇÃO E FORMAÇÃO GERENCIAL PARA OS GESTORES DAS REDES

Um dos elementos que prejudicam o desenvolvimento do trabalho das entidades do terceiro setor é muitas vezes atribuído à falta de capacitação técnica em processos e dinâmicas de formatação de projetos, prestação de contas, administração e gerenciamento fiscal e jurídico dos projetos e ações de cada entidade.

Desta forma, buscamos aqui propor uma ação itinerante, em formato de ciclo de oficinas e cursos de pequena duração, voltados à capacitação de gestores e coordenadores de projetos sobre os seguintes temas:

  • Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil;
  • Mecanismos de regulação fiscal, contábil e jurídica das entidades;
  • Formatação de projetos, leitura de editais e convênios;
  • Articulação de ações visando sustentabilidade das entidades;
  • Lei Cultura Viva;
  • Marco Civil da Internet.

A metodologia para realização destas oficinas será embasada nas reais necessidades de cada entidade buscando fortalecer ações e projetos já existentes assim como mobilizadores sociais e gestores das entidades.

SEMINÁRIO E ENCONTROS ANUAIS DE INTERCÂMBIO DE EXPERIÊNCIAS E TECNOLOGIAS SOCIAIS

Após a realização do 1º Seminário de Imersão das Redes, diversas questões e demandas surgiram, buscando um aprofundamento dos temas envolvendo as juventudes que integram os movimentos sociais e sua participação no ambiente produtivo das redes.

A avaliação das condições atuais da juventude brasileira reflete, por um lado, um quadro preocupante: os jovens do país não dispõem integralmente das oportunidades educacionais e profissionalizantes de que necessitam, ainda são mais suscetíveis à violência e ao desemprego e estão apartados por um sistema desigual que faz da juventude negra, pobre e moradora das periferias das grandes cidades um dos segmentos mais fragilizados da sociedade brasileira. Por outro lado, são jovens otimistas quanto ao futuro do país, que mostram disposição renovada para empreender e que formulam hoje estratégias inovadoras de participação social e política, baseadas na articulação em rede e nas novas tecnologias trazidas pela sociedade do conhecimento.

Esta compreensão é especialmente relevante para estudos sobre as juventudes no Brasil, pois apesar de os movimentos sociais e culturais, que ocupam hoje a linha de frente de processos na transição para a sociedade da informação, sabe-se da existência de contingente de jovens à margem das políticas públicas e de uma atuação cidadã. Para exemplificar aqueles que se enquadram entre os que estão organizados, podemos citar redes importantes que têm diálogo com a juventude, como é o caso da Rede Fora do Eixo, a Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA), o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), a Rede Povos das Florestas, a Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (ABRAÇO), a Rede Saúde e Alegria e o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), entre outros. Compreender suas estruturas de funcionamento e de articulação em rede é fundamental, bem como identificar e apoiar as lideranças juvenis que se apresentam hoje como sucessoras naturais em seus processos de tomada de decisão e, principalmente, para a inclusão daqueles que estão apartados deste contexto.

Desta forma, foi proposto a construção de uma segunda edição do Seminário Cidadania 2.0 – Articulação Estratégica das Redes, voltado à realização de uma série de ações articuladas junto a programas estruturados, sobre os resíduos sólidos; a agroecologia; a agroindústria; educação e meio ambiente, com ênfase nos recursos hídricos; a cultura digital, dentre outros, buscando proporcionar a interatividade e o fortalecimento das redes de movimentos sociais espalhadas pelo Brasil e criando um fluxo de comunicação democrático e participativo entre os atores sociais e instituições privadas e governamentais.

Nesta edição focaremos nos temas inovação e tecnologia como instru-mentos fundamentais para a transformação social dos jovens no Brasil. A cultura da inovação faz parte da identidade das novas gerações e, se potencializada, torna-se um mecanismo transformador da realidade; gera espaços de pertencimento, proporciona a elaboração de pensamentos coletivos e, portanto, participativos e colaborativos por natureza.

Percebe-se, por meio de ações sociais que têm na cultura da inovação uma forma de estabelecer diálogo, a forte vocação formativa e inclusiva capaz de produzir conteúdos e estabelecer novos fluxos de comunicação integrada às ações das redes e movimentos a ela associados. As oficinas; residências criativas; seminários; encontros; debates; intercâmbios e vivências são exemplos da força criativa e revolucionária da cultura. Portanto, ações que garantam aos jovens espaços de troca de conhecimentos e experiências criadoras transformam e geram desenvolvimento econômico sustentável e criativo nos territórios nos quais ocorrem.

Organizações não governamentais têm se dedicado a construir plataformas de intervenção social com a cultura não somente nas periferias, mas também junto a jovens de classe média, pois todos, independente de sua classe social, sofrem com problemas parecidos quando se trata da falta de estímulo, perspectiva e referências políticas e ideológicas.

Neste contexto, as redes culturais e sociais podem contribuir de forma colaborativa na construção das formas de investimento e de gestão de projetos e programas que visam o terceiro setor como parceiro, seja na construção e aplicação de ações socioculturais que promovam a inclusão socioprodutiva entre novos atores transformadores dos movimentos sociais brasileiros, seja no debate da construção de políticas públicas, com o objetivo de customizar os investimentos nas áreas social e cultural.