Apresentação

O evento Cidadania 2.0 – Seminário de Imersão das Redes é uma iniciativa da ONG Contato com o patrocínio da Fundação Banco do Brasil e da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. O evento ocorreu no período de 15 a 18 de dezembro de 2014, em São Paulo, no espaço colaborativo O Farol (R. Capitão Salomão, 26 – Centro)

A iniciativa promoveu a aproximação e o intercâmbio entre redes de movimentos sociais organizados por todo o Brasil voltados para a troca de experiências e tecnologias sociais, cidadania e cultura, com a juventude. Para isso o projeto se propôs a refletir, debater e intercambiar tecnologias de inclusão e estratégias de sustentabilidade no trabalho com a cultura e a juventude em todo o país, de forma a ampliar os investimentos estratégicos, criar uma rede de comunicação entre redes e promover encontros anuais direcionados a ampliação da participação social no Brasil.

CONTEXTO

O Brasil vive atualmente um momento de profundas transformações na ordem econômica e social, com a redução da miséria e a gradativa incorporação de milhões de brasileiros na classe média. São consequências importantes do aumento do poder aquisitivo da população, da diminuição da desigualdade e de políticas públicas universais e continuadas. Desse contexto, surge uma nova posição geopolítica do país no mundo, com sua faceta econômica e cultural, gerando novas respon-sabilidades e perspectivas de cooperação do Brasil diante da América do Sul, da África e dos BRICs. Tais mudanças exigem o reposicionamento dos atores sociais e econômicos.

Está em curso, igualmente, a consolidação de um novo papel do Estado. Na última década, o Estado brasileiro vem se firmando e se redimensionando para atuar como promotor de ações de desenvolvimento econômico e social, com políticas sociais robustas, em áreas como proteção social, educação e saúde.

Neste contexto, as tecnologias sociais e as redes que vêm se articulando na sociedade brasileira há pelo menos quatro décadas têm enormes desafios e oportunidades. A maior parte destas iniciativas atuou no vazio deixado pelo Estado como garantidor de direitos sociais. Muitas dessas tecnologias foram fundamentais para a construção do Estado de que agora falamos, democrático e realizador de direitos sociais. Hoje, entretanto, as políticas públicas criam um novo cenário legal, institucional e econômico, que deve ser observado.

O desafio é perceber o novo lugar do terceiro setor nas mudanças que o Brasil e o mundo vivem. É incontornável o papel e o potencial que as redes sociais e digitais têm conquistado na arena pública e social, com capacidade de ampliar o debate sobre as políticas públicas. É preciso discutir o papel de uma comunicação integradora dentro da estratégia futura da Fundação Banco do Brasil. Outro exemplo, em nível nacional, trata de uma série de novas leis, promulgadas nos últimos anos, que estabelecem e convocam a sociedade para a parceria com o governo brasileiro. Seja no enfrentamento da seca no nordeste, seja na incorporação da preocupação com o meio ambiente nas atividades agrícolas, seja no papel decisivo dos catadores na implementação da lei de resíduos sólidos, ou na possibilidade de produção de conteúdo audiovisual para as televisões públicas e privadas.

Cidadania 2.0. A realidade das redes é um dado incontornável, e o que faz girar e vibrar as redes é o conteúdo. A geração de conteúdo (em todas as mídias) foi um norte fundamental de reflexão neste seminário. Debateu-se amplamente quais informações e conhecimentos devem ser mobilizados por esta ação que, por ora, estamos chamando de Cidadania 2.0. Quais são os conhecimentos que colaboram com a emancipação e autonomia das tecnologias sociais e das redes? Temas como meio ambien-te, diversidade cultural, educação, cidades, etc; são questões hoje candentes. E também, quais são os formatos e meios pelos quais esses conteúdos vão circular e dinamizar as redes? Aqui, trata-se de ampliar o conceito de inclusão socioprodutiva, incluindo a criatividade e capacidade geradora de conteúdo de cada ponto da rede. Todas essas questões foram norteadoras do debate durante o Seminário.

As rápidas mudanças em curso exigem que as vulnerabilidades de gestão destes grupos sejam superadas, ao mesmo tempo em que se fortaleça o que existe de mais dinâmico: a solidariedade e a capacidade de transformar a realidade e de beneficiar a coletividade, gerando renda, inclusão social e realizando direitos. A estratégia a ser criada deve valorizar o que existe de vivo e inovador nos grupos e territórios, nas comunidades e nos projetos sociais em questão, onde muitas vezes é a juventude que esta à frente destes processos.

Nesse contexto, a juventude é um elemento fundamental para potencializar novos processos de transformação social, não somente através da mobilização da sociedade, mas também por meio de políticas públicas que compreendam os aspectos constitutivos de uma cidadania global, interligada a ações de valorização dos direitos humanos e meio ambiente como formas de ativismo juvenil e transformação da realidade brasileira e mundial.

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A CONTATO é uma entidade privada, sem fins lucrativos, criada em 2001, na cidade de Belo Horizonte (Brasil), voltada para a realização de projetos e ações que visam à formação e capacitação profissional de jovens por meio da cultura, assim como sua conscientização política pautada na cidadania e nos direitos humanos.

Atualmente, a Contato desenvolve projetos de capacitação e produção cultural nos campos do audiovisual, música, artesanato, e de cooperação internacional com países da África, América Latina e Europa. Um dos princípios básicos é aproximar jovens de classes sociais e culturas distintas para atuarem de forma colaborativa e participativa no mercado cultural independente.

A Contato promove intercâmbios e cooperação cultural entre jovens artistas e produtores, formando novas lideranças comunitárias, capazes de atuar num contexto global, estimulando e fortalecendo as potencialidades criativas de cada região; utiliza assim o terceiro setor como ambiente de trabalho e mobilização social na construção de um mundo justo e solidário.

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A Fundação Banco do Brasil, desde a sua criação, em 1985, tem atuado para identificar e mobilizar diferentes atores sociais na busca por soluções efetivas para o desenvolvimento econômico e social de comunidades brasileiras. O investimento social da Fundação BB é destinado, prioritariamente, para ações no meio urbano e rural, em cinco áreas: água, agroecologia, agroindústria, resíduos sólidos e educação.

O objetivo central da Fundação BB é promover a inclusão social e produtiva de parcelas menos favorecidas da população – catadores de materiais recicláveis, agricultores familiares, extrativistas, assentados da reforma agrária, comunidades indígenas e quilombolas, tendo como instrumento as tecnologias sociais.

Por meio do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, que acontece a cada dois anos, a Fundação BB certifica metodologias inovadoras e bem-sucedidas, desenvolvidas na interação com a comunidade, que resultam em transformações efetivas na vida das pessoas. Essa concepção valoriza a comunidade organizada para se tornar agente de soluções.

A participação da Fundação Banco do Brasil no Seminário “Cidadania 2.0 – 1º Seminário de Imersão das Redes” é uma forma de reconhecer as tecnologias de informação como oportunidade de inclusão digital, de acesso à construção do conhecimento, de incentivo ao protagonismo social e de ampliação no acesso ao trabalho.

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Em todo o mundo, as redes têm consolidado seu papel na construção da cidadania por ser um ambiente aglutinador e disseminador de ideias.

Cidadãos de diversos países e regiões têm usado as redes como plataforma para dar visibilidade a causas, programas e projetos. Recentemente, ações no sentido de consolidação da democracia, denúncias de violação de direitos humanos, espionagem, entre outros assuntos, entraram em pauta e nos fizeram refletir sobre os nossos próprios direitos e deveres como cidadãos, dentro e fora das redes.

Com o céu como limite, em todas as áreas do conhecimento, inclusive no campo cultural, a rede tornou-se um campo livre e importante para manifestação de expressões artísticas, que em poucos minutos se espalham e se tornam conhecidas. No democrático ambiente virtual, o criador é independente para manifestar-se sem depender da mídia tradicional para levar suas ideias adiante e alcançar leitores e ouvintes sem intermediários.

Embora tenhamos avançado muito nos últimos anos, no sentido de aproveitar o potencial das redes à nossa disposição, é evidente que ainda não atingimos o maior patamar possível, em nenhum lugar do mundo.

O Brasil avança neste sentido e as políticas públicas cumprem um papel fundamental. Em São Paulo, por exemplo, a democratização do acesso à banda larga e a disseminação do Wifi deu um salto nos últimos meses de 2014 por meio das Praças Wifi Livre SP, projeto da Prefeitura de São Paulo que já conectou paulistanos em 106 pontos na cidade, em todas as regiões.

Em 2014, ainda, as Secretarias Municipais de Cultura, de Direitos Humanos e de Cidadania e Serviços lançaram o edital “Redes e Ruas” que selecionou propostas de inclusão, cidadania e cultura digital. Com um investimento de R$ 3,7 milhões, foram selecionados 59 projetos, somando as três categorias previstas no edital, a serem desenvolvidos na cidade de São Paulo. Este foi o maior edital já lançado no Brasil para apoio, na temática. Ele contempla também ações em telecentros, Praças Wifi Livre SP e Pontos de Cultura de São Paulo.

A Prefeitura de São Paulo reconhece e apoia discussões e propostas que visem ampliar o acesso às redes como uma prioridade do poder público. Por meio de discussões e propostas, são iluminados os caminhos a serem percorridos. Dessa forma, eventos como o Seminário Cidadania 2.0, que teve sua primeira edição realizada em São Paulo no mês de dezembro de 2014, contribuem para que o debate não se perca e para que a luta continue encontrando eco em todos os lugares.