Encontro “Articulação das Redes nos Territórios”

No dia 24 de abril foi realizado o encontro “Articulação das Redes nos Territórios”, que aconteceu na Casa Fora do Eixo SP, com a presença de representantes das redes Mocambos, Circuito fora do Eixo, União Popular das Mulheres, Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, Revista Fórum, Centro Cultural da Juventude e ONG Contato.

Abaixo segue a ata do encontro:

Apresentação:

Para introdução, foi brevemente apresentado para os presentes o programa Cidadania 2.0: pontos de ação e linhas de trabalho. Também foi discutida a necessidade da criação de um Glossário para nivelamento da comunicação.

Relatos das redes – relação com FBB, Cultura e Juventude:

1) Dudu (MNCMR)

Dudu, representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, falou da antiga relação da Cata Sampa (rede formada por 15 cooperativas e associações de catadores de materiais recicláveis) com a FBB e reforçou que para o fortalecimento da rede é necessário o fortalecimento das bases (as cooperativas), através de encontros e estreitamento da comunicação. Afirmou que na liderança prevalecem atores “de idade elevada” e pontuou a atuação de uma liderança juvenil na rede em SP (Bruno). Também afirmou que há pouca ênfase na questão cultural, embora haja desenvolvimento de projetos nas áreas da economia solidária e artesanato.


2) Priscila (Rede Mocambos)

Priscila informou que a Rede Mocambos está iniciando parceria com a FBB, com um projeto em andamento que contempla o desenvolvimento de um sistema de comunicação para compartilhamento e difusão da cultura, sem internet. Apresentou histórico de atuação da rede, que teve origem na Casa de Cultura Tainã (Campinas/SP) e tem com objetivo de unir comunidades quilombolas tradicionais/rurais e urbanas numa rede que pretende valorizar a contribuição cultural destas comunidades. Falou sobre a diversidade das comunidades quilombolas, destacando dois grupos distintos: um grupo de postura passiva (que esperam os benefícios de programas) e outro com produção ativa e intensa prática de intercâmbio e encontros para discussão e trocas sobre a cultura quilombola, tendo como importante tema a questão territorial. Afirmou que há forte presença jovem na liderança. Sugeriu que na construção de um mapa de georreferenciamento também sejam consideradas informações dos integrantes da comunidade e não exclusivamente das lideranças.


3) Thiago Vinícius (União Popular das Mulheres / Agência Solano Trindade)

Thiago falou sobre a história da união Popular das Mulheres de Campo Limpo e Adjacências, organização social sem fins lucrativos que tem como objetivo principal a luta pela emancipação da mulher e pela igualdade nas relações de gênero, além de mobilizar, unir e organizar seus associados para a luta e conquista da plenitude de seus direitos sociais, econômicos, políticos, ambientais e culturais. Reforçou a necessidade de conhecer o 1.0 para ingressar no 2.0, lembrando a importância do entendimento da história dos movimentos e suas lideranças pioneiras para um trabalho de ressignificância e para o fortalecimento do sentimento de pertencimento.


4) Renato Rovai (Revista Fórum)

O jornalista Renato Rovai, editor da Revista Forum (publicação mensal e que também possui versão eletrônica, que divulga notícias e conteúdos com análises e informações sobre eventos políticos, econômicos e sociais) reconhece a diferença de formato entre a revista e uma ONG no plano burocrático, porém reforça a grande semelhança no plano da prática, uma vez que seus colaboradores são profissionais autônomos e também por sua aproximação e discussão sobre os movimentos de mobilização populares e o debate público da comunicação. Enfatizou a identidade da revista com as questões da territorialidade e da juventude e também sua disponibilidade para colaboração com as redes, pensando a transformação dos movimentos sociais através da comunicação.


5) Pablo Capilé (Fora do Eixo)

Pablo Capilé discorreu sobre a atuação do Fora do Eixo: seus eixos (sustentabilidade, formação, articulação política, comunicação e circulação cultural) e as linguagens artísticas que são somados organicamente. Atentou sobre a criação de aplicativos que sejam gerados com ferramentas já constantes no repertório das redes, trabalhando assim uma recombinação de elementos que já tenham resultado positivo na sua trajetória. Por fim, levantou a necessidade de se levantar um mapeamento para a FBB com números, dados e custos referentes às redes e seus projetos, com a seguinte sugestão de formato:

  • Aplicativo 1 – Articulação (Georreferenciamento e Mapeamento)
  • Aplicativo 2 – Forma (Diagnóstico, Repertório e Fluxo)
  • Aplicativo 3 – Articulação Política (Banco de serviço, Orçamento e Centro de Custos)
  • Aplicativo 4 – Comunicação (Narrativa e Circulação da informação)

6) Alexandre (CCJ)

Alexandre apresentou brevemente o CCJ (Centro Cultural da Juventude) – sua estrutura, atividades, projetos de formação, ocupação e articulação e sua programação. Enfatizou o sucesso do programa Jovem Monitor (programa de experiência prática e formação cultural para jovens monitores do CCJ), sugerindo como modelo para reaplicação nas redes.