Apresentação

A avaliação das condições atuais da juventude brasileira reflete, por um lado, um quadro preocupante: os jovens do país não dispõem integralmente das oportunidades educacionais e profissionalizantes de que necessitam, ainda são mais suscetíveis à violência e ao desemprego e estão apartados por um sistema desigual que faz da juventude negra, pobre e moradora das periferias das grandes cidades um dos segmentos mais fragilizados da sociedade brasileira. Por outro lado, são jovens otimistas quanto ao futuro do país, que mostram disposição renovada para empreender e que formulam hoje estratégias inovadoras de participação social e política, baseadas na articulação em rede e nas novas tecnologias trazidas pela sociedade do conhecimento.

Esta compreensão é especialmente relevante para estudos sobre as juventudes no Brasil, pois apesar de os movimentos sociais e culturais, que ocupam hoje a linha de frente de processos na transição para a sociedade da informação, sabe-se da existência de contingente de jovens à margem das políticas públicas e de uma atuação cidadã. Para exemplificar aqueles que se enquadram entre os que estão organizados, podemos citar redes importantes que tem diálogo com a juventude, é o caso da Rede Fora do Eixo; a CUFA – Central Única das Favelas; Rede Mocambos; o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) e o Grupo de Trabalho Amazônico, dentre outros. Compreender suas estruturas de funcionamento e de articulação em rede é fundamental, bem como identificar e apoiar as lideranças juvenis que se apresentam hoje como sucessoras naturais em seus processos de tomada de decisão e, principalmente, para a inclusão daqueles que estão apartados deste contexto. Desta forma, a ONG Contato em parceria com A Fundação Banco do Brasil se propõe a construção de um Plano de Articulação Estratégica das Redes nos Territórios, buscando à realização de uma série de ações articuladas visando a construção colaborativa de políticas públicas para a Juventude e Cultura em diálogo com temas como Meio Ambiente, Comunicação, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social, dentre outros, buscando proporcionar a interatividade e o fortalecimento das redes de movimentos sociais espalhadas pelo Brasil e criando um fluxo de comunicação democrático e participativo entre os atores sociais e instituições privadas e governamentais.

Sabe-se que a cultura é um instrumento fundamental para a transformação social dos jovens. A cultura tomada por seu caráter antropológico é, antes de tudo, um forte elemento de identidade; gera espaços de pertencimento, proporciona a elaboração de pensamentos coletivos, portanto, participativos e colaborativos por natureza.

Percebe-se, por meio de ações sociais que tem na cultura forma de estabelecer diálogo, a forte vocação formativa e inclusiva capaz de produzir conteúdos e estabelecer novos fluxos de comunicação integrada às ações das redes e movimentos a ela associados. As oficinas; residências criativas; seminários; encontros; debates; intercâmbios e vivências são exemplos da força criativa e revolucionária da cultura. Portanto, ações que garantam aos jovens espaços de troca de conhecimentos e experiências criadoras transformam e geram desenvolvimento econômico sustentável e criativo nos territórios nos quais ocorrem.

Organizações não governamentais têm se dedicado a construir plataformas de intervenção social com a cultura não somente nas periferias, mas também junto a jovens de classe média, reiteramos, pois todos, independente de sua classe social, sofrem com problemas parecidos quando se trata da falta de estímulo, perspectiva e referências políticas e ideológicas.

Nesta perspectiva, redes culturais e sociais podem contribuir de forma colaborativa na construção das formas de investimento e de gestão de projetos e programas que visam o terceiro setor como parceiro, seja na construção e aplicação de ações socioculturais que promovam a inclusão socioprodutiva entre novos atores transformadores dos movimentos sociais brasileiros; seja no debate da construção de políticas públicas, cujo objetivo seja a de customizar os investimentos na área social e cultural.