Apresentação

Nunca a população jovem foi tão expressiva no Brasil como nos dias atuais. Trata-se de um tema estratégico para o desenvolvimento do país e na elaboração de políticas e planos de sustentabilidade social, econômica e cultural.

Nos últimos tempos, o termo juventude ganhou ainda mais força, mais expressividade e diretamente relacionado à diversidade cultural, por suas formas de pensar, pelas diferentes linguagens, por novas formas de atuação político-social, e por novos comportamentos. É na juventude que o indivíduo processa de forma mais intensa a conformação de sua trajetória, seus valores e sua busca por plena inserção no trabalho e na vida social.

 

Esta transição é especialmente marcante para o atual momento histórico do Brasil. Dados do Censo 2010 apontam para aproximadamente 54 milhões de brasileiros e brasileiras entre 15 e 29 anos – ou pouco mais de 25% da população do país. Uma onda jovem que se traduz, hoje, em um fenômeno chamado “janela demográfica”,  no qual a população economicamente ativa supera a população dependente: crianças e idosos. Esta janela – que ocorre uma única vez na história de qualquer país – está aberta agora para o Brasil.

 

O presente documento aponta, no campo da juventude, alguns dos principais gargalos para a realização deste salto. Também destaca pesquisas qualitativas envolvendo aspirações e desejos dos jovens brasileiros e um breve retrospecto do arcabouço institucional que envolve a juventude no país, incluindo os principais programas federais dirigidos a este segmento.

 

Considera-se como juventude, aqui, o contingente populacional entre 15 e 29 anos. A classificação é adotada pela Política Nacional de Juventude, que a subdivide em três fases etárias: jovem-adolescente (15 a 17 anos), jovem-jovem (18 a 24 anos) e jovem-adulto (25 a 29 anos). O objetivo é compreender as especificidades da juventude em maior complexidade, já que os desafios colocados para os jovens de 15 anos são certamente distintos daqueles enfrentados pelos jovens de 24 ou 29 anos.

 

Como se verá, os jovens brasileiros não dispõem integralmente das oportunidades educacionais e profissionalizantes de que necessitam, ainda são mais suscetíveis à violência e ao desemprego e estão apartados por um sistema desigual que faz da juventude negra, pobre e moradora das periferias das grandes cidades um dos segmentos mais fragilizados da sociedade brasileira. Ao mesmo tempo, são jovens otimistas quanto ao futuro do país, que mostram disposição renovada para empreender e que formulam hoje estratégias inovadoras de participação social e política, baseadas na articulação em rede e nas novas tecnologias trazidas pela sociedade do conhecimento.