Desejos e aspirações

Mas o que, afinal, pensa e deseja o jovem brasileiro?

A pesquisa Perfil da Juventude Brasileira, realizada pelo Instituto Cidadania, informa que, para eles, os aspectos positivos de ser jovem superam em muito os negativos: 74% dos entrevistados declararam que há mais coisas boas em ser jovem do que ruins, contra 11% que declararam o contrário e 14% que optaram pelas duas possibilidades.

Quando inquiridos sobre os assuntos que mais lhes interessavam, três temas predominaram: educação, trabalho e oportunidades de cultura e lazer. De outro lado, entre as coisas ruins de ser jovem, destacaram-se, na opinião dos entrevistados, o convívio com riscos variados – drogas, violência e más companhias -, a falta de trabalho e a falta de liberdade expressa pelo controle familiar.

Uma das principais iniciativas já realizadas no Brasil para aferir estas aspirações é a pesquisa Sonho Brasileiro, realizada pelo Instituto Box e o Datafolha. O trabalho – quantitativo e qualitativo – ouviu mais de 3 mil jovens em 173 cidades de 23 estados brasileiros, envolvendo as classes A, B, C, D e E.

Entre os vários resultados positivos, tem-se que 89% dos jovens pesquisados têm orgulho de ser brasileiros, 76% sentem que o Brasil está mudando para melhor e 87% veem o Brasil como um país importante no mundo de hoje.

Quando perguntados sobre seu ‘sonho para o Brasil’, as respostas mais citadas foram menos violência (18%), menos corrupção (13%) e menos desigualdade social (10%).

Já o ‘sonho individual’ mais citado foi a formação profissional e o emprego (55%). Depois, aparecem casa própria (15%), ficar rico ou ter estabilidade financeira (9%), a família (6%) e a compra de bens como carro, moto e eletrodomésticos (3%).

Não quer dizer, conforme realça o estudo, que seja uma escolha individualista. Ao contrário, 74% sentem-se na obrigação de fazer algo pelo coletivo e 79% mostram-se dispostos a reservar parte do tempo para ações em favor da sociedade.

Mais ainda, 70% desses jovens, mesmo em situação de incerteza econômica, não querem abrir mão de uma atuação comunitária, preferencialmente nas áreas de cultura e arte (31%), meio ambiente (29%), educação (26%), esporte (25%) e tecnologia (19%).

Além disso, os novos jovens possuem drivers que os diferem das gerações predescessoras. Para 85% deles, a internet é uma ferramenta que contribui para o aprendizado e 63% acreditam que hoje existe o que pode ser denominado de “cultura global”.

É a sinalização de uma nova tendência de participação calcada na crise do modelo de representatividade, e que coloca o jovem como protagonista para muito além das esferas do estado e dos mecanismos tradicionais de atuação política.