Situação atual

TRABALHO E EMPREGO

De acordo com dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), 12,6% das pessoas entre 15 e 24 anos no mundo estavam sem emprego em 2012, o que corresponde a cerca de 74 milhões de pessoas. A taxa de desemprego para os jovens na América Latina e no Caribe, região na qual se insere o Brasil, ficou em 13,5% – um pouco acima da média mundial, mas abaixo dos países desenvolvidos (17,9%), do Oriente Médio (28,1%); do Norte da África (23,8%) e da Europa Central (17,1%).

Segundo a pesquisa “Jovens e Trabalho no Brasil – Desigualdades e Desafios para as Políticas Públicas”, publicada em 2013, 66% dos 53,9 milhões de jovens entre 15 e 29 anos estão no mercado de trabalho, enquanto 40% apenas estudam. Neste panorama, os jovens trabalhadores passam a ser maioria na faixa etária de 18 a 21 anos, na qual 75% estão no mercado e 40% ainda estudam. Dos 22 aos 24 anos, os números alcançam 80% e 20%, respectivamente. A proporção muda para 83% e 15%, a partir dos 25 anos. Entre os mais novos, que ainda não atingiram a maioridade, grande parte se dedica exclusivamente à escola.

A Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar (PNAD 2009) mostra, ainda, que o desemprego juvenil é quase três vezes maior que a taxa de desemprego adulto. Isso significa que, embora seja condição necessária, o crescimento econômico não resolve inteiramente o problema do desemprego entre os jovens, particularmente aqueles de mais baixa renda e baixa escolaridade, as mulheres, os negros e os moradores de áreas urbanas metropolitanas, para os quais as taxas de desemprego são mais elevadas, assim como as de informalidade e precariedade no trabalho.

TAXA DE DESEMPREGO

Média mundial

12

Países desenvolvidos

17

América Latina / Caribe

13

Oriente Médio

28

Norte da África

23

Europa Central

17

RENDA

Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), 30,6% dos jovens brasileiros podem ser considerados pobres e vivem em famílias com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo. De outra parte, apenas 15,7% são oriundos de famílias com renda domiciliar per capita superior a dois salários mínimos e aproximadamente 53,7% pertencem ao extrato intermediário, com renda domiciliar per capita entre meio e dois salários. Apesar do equilíbrio na distribuição dos jovens brasileiros por sexo – 50% homens e 50% mulheres –, a pobreza é ligeiramente superior entre as mulheres jovens (53%), assim como ocorre para a população como um todo.

Já os jovens de baixa renda estão concentrados na região Nordeste (51,7% do total), com destaque para o fato de que 19,3% da juventude nordestina é formada de jovens pobres que vivem em áreas rurais. Note-se, ainda, que os jovens pobres são em sua maioria não brancos (70,9%), enquanto os jovens brancos são 53,9% dos não pobres. Conclui-se daí que a faixa de rendimento mensal da família em que vive o jovem mantém relação direta com sua origem regional e sua cor de pele. Ou seja, ser um jovem nordestino e negro representa maior probabilidade de ser pobre no Brasil.

RENDA FAMILIAR PER CAPITA

  • 30

    Até 1/2 salário mínimo

  • 53

    Entre 1/2 e 2 salários mínimos

  • 15

    Acima de 2 salários mínimos

VIOLÊNCIA

Segundo informações do Mapa da Violência, só 9,9% do total de óbitos da população não-jovem brasileira são atribuíveis a causas externas – homicídios, suicídios e acidentes de trânsito. Já entre os jovens, as causas externas são responsáveis por 73,6% das mortes. Este desequilíbrio – um dos principais desafios quando se trata de políticas públicas para a juventude – é especialmente marcante quando considerados os homicídios. Se na população não-jovem apenas 1,8% dos óbitos é causado por assassinatos, entre os jovens brasileiros estes crimes são responsáveis por 39,7% das mortes.

A taxa de homicídios entre os jovens passou de 30 em 100 mil, em 1980, para 52,9 no ano de 2008. Já a taxa na população não-jovem permaneceu praticamente constante ao longo deste período, inclusive com uma leve queda: de 21,2 para 20,5. Isso mostra que os avanços recentes da violência homicida no Brasil tiveram como motor a morte de jovens.

Ainda segundo o Mapa, a principal vítima desta violência é negra, jovem, do sexo masculino e moradora das periferias das grandes cidades. Entre os jovens negros, os homicídios passaram de 11.308 para 12.749 entre 2002 e 2008, o que representa um incremento de 13%. Já o número de homicídios de jovens brancos caiu significativamente no período, passando de 6.592 para 4.582, – uma queda de 30% em seis anos. Com essa diferença, a brecha histórica de vitimização negra escalou drasticamente.

A taxa de mortalidade brasileira por homicídio é também extremamente elevada quando comparada a de outros países. No caso dos jovens, é no mínimo quatro vezes maior a de dez países citados em pesquisa do Conjuve -, excetuando-se a Colômbia. Igualmente marcante é o diferencial por gênero. A taxa de mortalidade masculina entre jovens homens é mais de 12 vezes maior do que a feminina.

  • 9

    Óbitos
    (população não-jovem)

  • 73

    Óbitos
    (população jovem)

  • 1

    Óbitos por homicídio
    (população não-jovem)

  • 39

    Óbitos por homicídio
    (população jovem)

EDUCAÇÃO

As oportunidades de acesso à educação estão entre as mais importantes para assegurar aos jovens um desenvolvimento adequado e uma melhor transição à vida adulta. Assim, a igualdade de oportunidades nesse campo é decisiva para incentivar a mobilidade social e combater a pobreza

No Brasil, a escolaridade média da população entre 15 e 24 anos é inferior a oito anos de estudo. Ou seja, os jovens brasileiros não completam, em média, sequer a educação fundamental. Destaque também para as desigualdades educacionais, notadamente nos quesitos gênero, renda, cor e raça. Por exemplo, a taxa de analfabetismo entre os jovens negros é duas vezes maior do que entre brancos: 3,4% contra 1,4%. A situação repete-se com relação ao ensino médio, onde a quantidade de negros com idade entre 15 e 17 anos é bastante inferior a de alunos brancos: 43,5% contra 60,3%. Com relação ao ensino superior – a despeito das políticas de cotas e programas como o Prouni -, observa-se que a participação é cerca de três vezes maior em favor dos brancos.

Em relação à educação para os jovens com deficiência, 70,64% da população brasileira fora da escola são de crianças, adolescentes e jovens com deficiência. Segundo informações do Ministério da Educação, são 369.735 jovens e crianças que recebem o Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social – destinado a pessoas com deficiência e idosos -, e dos quais apenas 108.060 (29,23%) estão na escola.

DISTRIBUIÇÃO TERRITORIAL

Segundo dados da PNAD 2009, 84,8% dos jovens brasileiros vivem em zonas urbanas, sendo que 72,2% deles estão em moradias inadequadas, – incluindo cerca de 2 milhões em favelas. A juventude rural é de aproximadamente 8 milhões de jovens e encontra-se predominantemente nas regiões Norte e Nordeste. O nível de escolaridade dos jovens rurais é 30% inferior ao dos jovens urbanos, sendo que 8% dos jovens que vivem no campo são analfabetos, contra 2% nas áreas urbanas.

Além disso, apenas a metade dos adolescentes com idade entre 15 e 17 anos que vivem nas cidades estudam no ensino médio. No campo, a situação é ainda mais carente de ação governamental, já que somente 1/3 desses jovens estão concluindo a educação básica e há 1,2 milhão de estudantes do campo com idade para cursar o ensino médio. A situação é agravada pelo fato da maioria das escolas rurais não possuir biblioteca, laboratórios de ciência ou informática e acesso à internet.

No que diz respeito ao recorte regional, os dados da mesma pesquisa evidenciam que 54% dos jovens da região Nordeste estão em situação de pobreza, percentual maior que o das outras regiões. Constata-se, ainda, que as regiões Norte e Nordeste têm os mais baixos índices de jovens de 15 a 17 anos estudando na série adequada: apenas 39,1% e 39,2% da população nessa faixa etária, respectivamente, cursam o ensino médio. No Sudeste, o número sobe para 60,5%. Situação semelhante repete-se com relação ao analfabetismo entre jovens de 15 a 29 anos. Enquanto Sul, Sudeste e Centro-Oeste apresentam taxas em torno de 1,1%, o Norte e Nordeste atingem percentuais de 2,8% e 5,3%.

CULTURA, TECNOLOGIA E PARTICIPAÇÃO CIDADÃ

A sociedade da informação supõe não só a incorporação intensiva de inovação e conhecimento ao aparelho produtivo, mas uma mudança na vida das pessoas baseada na rede e na conectividade. As novas tecnologias, neste termo, abrem caminho para novas capacidades e oportunidades na medida em que revolucionam o acesso à informação, à participação em grupos, à gestão de recursos e projetos e a novas formas de recreação e apropriação simbólica. Isso é especialmente válido para a juventude, que tem maior facilidade para assimilar novas linguagens e “aprender usando” as novas ferramentas da sociedade do conhecimento.

No Brasil, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) mostram que a proporção de pessoas que utilizaram a internet passou de 20,9% para 46,5% entre 2005 e 2011. Um salto expressivo, embora mais da metade da população de 10 anos ou mais de idade não tenha ainda acesso à internet. Neste período, houve um aumento de 45,8 milhões de internautas – média de quase 21 mil por dia. Além da população jovem ser a maior usuária, um crescimento significativo aconteceu entre internautas de 10 a 14 anos. Em 2005, 24,3% das crianças acessavam a internet, proporção que saltou para 63,6% em 2011. Em 2005, apenas 24,1% dos alunos da rede pública usavam a internet, proporção que também cresceu para 65,8% em 2011. Ou seja, uma nova geração de crianças e adolescentes prestes a ingressar na juventude já devidamente inserida nas novas plataformas de comunicação e informação típicas da sociedade do conhecimento.

Segundo o ex-ministro da cultura, Gilberto Gil, o conceito de cultura digital parte do princípio de que a revolução das tecnologias digitais é, em essência, cultural. Significa dizer que o uso pleno da internet e do software livre afeta comportamentos e cria novas possibilidades de democratizar o acesso à informação e ao conhecimento, bem como maximizar os potenciais dos bens e serviços culturais e amplificar os valores que formam nosso repertório comum e, portanto, a nossa cultura.

E o que isso tem a ver com redes e novas formas de atuação política? Em primeiro lugar, uma rede só é rede na medida que mantém conectados seus atores de uma forma horizontal e não de modo piramidal-hierárquico. Nesse sentido, a cooperação é e será potencializada na medida em que se garanta a independência e a autonomia de cada um dos atores constitutivos da rede. Esta transformação tem sido, hoje, fruto da aproximação entre diversos atores sociais, incluindo o Estado, que estão interessados nas possibilidades abertas pela cibercultura para promover a diversidade cultural, descentralizar os processos de tomada de decisão e democratizar a criação, a produção e a distribuição de informação e conhecimento.

Esta característica é especialmente marcante no campo da juventude. Basta dizer que, para 85% dos jovens brasileiros, a internet já é uma ferramenta que contribui para o aprendizado. A informação consta da pesquisa O Sonho Brasileiro, que também sinaliza alterações importantes no modus operandi de atuação política da nossa juventude. Segundo o documento, 59% dos jovens dizem não ter preferência por um partido político e 83% concordam que diferentes partidos podem trabalhar juntos em prol de uma causa. Sobre as mudanças na sociedade, 92% pensam que a somatória de pequenas ações vai, aos poucos, transformando a realidade. É a sinalização de uma nova tendência de participação calcada na crise do modelo de representatividade, e que coloca o jovem como protagonista para muito além das esferas do estado e dos mecanismos tradicionais de ação política